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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Burkina Faso abandona o algodão transgênico

Burkina Faso abandona o algodão transgênico | 


As associações algodoeiras do país retornaram à produção do algodão convencional em 2012
Claire Fages
RFI
Burkina Faso foi a “ponta de lança” dos transgênicos no oeste do continente africano. Entretanto, muito decepcionados pelos rendimentos e pela qualidade do algodão geneticamente modificado, as associações algodoeiras do país retornaram à produção do algodão convencional em 2012.
O algodão transgênico não manteve suas promessas em Burkina Faso. Graças à sua resistência aos insetos, ele deveria dar rendimentos 30% superiores em relação ao algodão tradicional. Mas tal crença não vigorou. Claro que o clima não era favorável. Porém, não explica tudo, longe disso.
As razões das perdas estão inerentes ao próprio algodão geneticamente modificado. Mais sofisticado, com as cápsulas maiores, o algodão transgênico não sofre nenhum dano, explica Gérald Estur, consultor especializado. A semente exige uma dose precisa de fertilizantes específicos. Mas ela não recebeu cuidados tão precisos, dado o hábito dos produtores de algodão de desviar uma parte de insumos subsidiados para outras culturas, em particular , as de alimentos. Mas a pior surpresa mesmo é a baixa qualidade da fibra.
A semente vendida pela Monsanto à Burkina Faso foi sem dúvida fabricada às pressas. Cruzada com a variedade estadunidense, ela dá um algodão mais branco que a cor creme, comum da espécie do oeste africano. Porém a fibra é consideravelmente mais curta. A fibra é uma fiação de algodão em toda a sua qualidade. O algodão de Burkina Faso, com a variedade “média-alta”, como todo o algodão do oeste africano, se encontra numa classificação inferior do algodão paquistanês. O uso dos transgênicos não só desorientou os descascadores, mas também o comércio, com um padrão de preços 10% inferiores e uma considerável falta de ganhos para as associações algodoeiras do país. É por isso que esse ano elas recuaram. O plantio começará em breve e elas distribuirão praticamente 100% das sementes tradicionais, contra 30% no ano anterior.
As sementes transgênicas, que cobriam 70% da superfície do país no ano passado serão evitadas até que a Monsanto descubra uma solução para eliminar o caráter negativo pela qualidade da fibra. Isso também para o desgosto dos algodoeiros que estavam habituados a trabalhos menos sofridos e menos perigosos para a saúde, porque o algodão transgênico demandaria muito menos de tratamentos fito-sanitários que o algodão convencional.