segunda-feira, 28 de julho de 2025

Milho Íntegro


Exemplo da diversidade de Flocos de Milho íntegro disponíveis no mercado em julho de 2025










em 2021...
México abolindo milho transgênico?
Está parecendo conversa atravessada, mas o Greenpeace é citado...

Bom... Tomara que seja verdade,
 quem sabe sobra umas "migalhas" prá gente.

Imagina, voltar a possibilidade de comer milho verde cozido 🌽🌽🌽, uma das poucas alternativas de alimento íntegro vendido pronto nas calçadas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Imersos em transgênicos


Este ensaio sobre a situação atual dos transgênicos no Brasil é bem detalhado, sem qualquer deslize técnico ou ideológico que pude identificar.

Além de abrangente também traz referências consistentes.

Aborda com precisão como as certificações eximem-se da necessidade de relatar os conteúdos transgênicos que aparecem em pequenas proporções como as enzimas. 

Todos os queijos orgânicos comerciais que investiguei apresentaram coalho transgênico. Se alguém conhecer algum de ampla distribuição no Brasil que não seja, agradeço informarem nos comentários desta publicação.

Deixo o link levando para o parágrafo onde comenta sobre os Saccharomyces transgênicos.

sábado, 27 de novembro de 2021

Soja Convencional


Finalmente os consumidores estão mudando o plantio. Aquilo que a ciência e os governantes não fizeram por estarem comprometidos com as grandes empresas de veneno e sementes modificadas.

Esta matéria entra em detalhes:

https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Soja/noticia/2021/11/preco-diferenciado-e-novas-variedades-devem-estimular-plantio-de-soja-nao-transgenica.html

sábado, 23 de outubro de 2021

Arroz transgênico



Mais um ítem a ser verificado nos ingredientes de produtos feitos nos países e empresas onde foi distribuído este arroz.

A lista detalhada encontra-se nesta postagem:

https://planetaarroz.com.br/arroz-transgenico-da-india-e-retirado-da-uniao-europeia/

Uma vez que diversos campos experimentais estão sendo cultivados, é consistente a probabilidade de novas remessas chegarem a nós, especialmente na forma de sub-produtos em ingredientes até mesmo de medicamentos.

A consolidação deste cultivo na Índia abre caminho para a estratégia escusa de contrabandearem sementes e induzirem o plantio ilegal em diversos países até que os lobbys consigam aprovar em cada região introduzida.

sábado, 9 de novembro de 2019

algodão orgânico

Replicando.
Edição: Katarine Flor

A Organização Não Governamental (ONG) paraibana Arribaçã ganhou, nesta semana, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social de 2019 pela produção de algodão orgânico. O trabalho é desenvolvido na região da Borborema e Cariri Ocidental (PB) desde 2003. A organização assessora agricultores familiares no estado.

Com a metodologia “O Algodão Agroecológico Gerando Renda e Conhecimento no Curimataú Paraibano”, os responsáveis pela iniciativa receberam R$ 50 mil reais e devem usar o dinheiro para expandir o trabalho junto com os agricultores.

Nos assentamentos assessorados pela Arribaçã, os agricultores seguem critérios como: o cuidado com a saúde do produtor e do solo; a proteção da biodiversidade; a valorização das sementes tradicionais; e o respeito aos limites da natureza e as relações humanas. 

Maria Amália Marques é uma das integrantes da ONG Arribaçã. Ela conta que a maior parte dos assessorados é composta por assentados da reforma agrária.

Marques explica que o trabalho desenvolvido junto aos agricultores levou à criação da Rede Borborema de Agroecologia.  A principal função da organização é certificar a produção como produto orgânico reconhecido pelo Ministério da Agricultura. O selo facilita a comercialização no mercado de orgânicos em nível nacional e internacional.

"Esse é o primeiro SPG [Sistema Participativo de Garantia] do estado da Paraíba devidamente credenciado no Ministério da Agricultura, apto a certificar sistemas de produção e usar o selo de orgânicos do Brasil. É uma organização muito importante, que vem fortalecer o processo de produção orgânica e a agroecologia nas áreas de assentamento", destaca. 

Pelo alto valor das certificações, antes os agricultores da região ficavam dependentes das empresas compradoras de seu produto, pois eram elas que financiavam o processo. 

A integrante da ONG conta que isso diminuía a independência e a capacidade de negociação do valor do produto final. 

Foi então que – incentivados pela Arribaçã – os produtores passaram a se organizar e formaram a Rede Borborema, o que permitiu que eles mesmos fizessem a certificação da produção. 

Atualmente, a Rede Borborema conta com cinco grupos de produção em assentamentos nos municípios paraibanos: Remígio, Prata, Casserengue e Amparo, compostos por 34 produtores com certificação para produzir o algodão. 

Só em 2019, a Rede certificou mais de 60 unidades de produção, todas de agricultura familiar. Hoje, os agricultores vendem o algodão para uma empresa francesa que fabrica sapatos com matéria-prima sustentável, a Vert Shoes.

 🌱

https://dinheirorural.com.br/algodao-organico-inga-pb-pode-virar-referencia-no-setor-textil-sustentavel

Moda Orgânica: https://blog.bemglo.com/rede-do-bem-juliana-gevaerd-superfluous-e-adri-rodrigues-brand/

Aqui no Brasil tem algumas empresas usando algodão orgânico para roupas.

https://www.justatrama.com.br

https://laluzbrasil.com/somos-organicos/

madeinguarda.com.br

https://titaco.eco.br


domingo, 11 de agosto de 2019

Transgênicos

Replicando boa matéria:
Idec
alimentos transgênicos e seus riscos

Atualizado: 18/06/2019

Você sabe qual é o significado do "T" amarelo presente em embalagens de alimentos? Esse símbolo aponta que os alimentos são transgênicos, ou seja, aqueles que são modificados geneticamente com a alteração do código genético (DNA) e produzidos em laboratório por meio de técnicas artificiais de engenharia genética.

Apesar dos alertas sobre seus efeitos a curto e longo prazo para a saúde dos seres humanos e dos animais, muitos brasileiros ainda não sabem que boa parte de sua alimentação possui componentes feitos a partir de alimentos geneticamente modificados - entre os principais transgênicos cultivados no País estão a soja e o milho, que são usados como ração para aves, gado e suínos e também amplamente utilizados nos produtos ultraprocessados para consumo humano como salsicha, bolachas, biscoitos, bolos e salgadinhos de pacote, entre outros.

Entenda porque é importante evitar esses alimentos e conheça os principais riscos à saúde humana e ao meio ambiente:

 

O QUE SÃO OS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS?

Os transgênicos são alimentos modificados geneticamente com a alteração do código genético. Ou seja, quando são inseridos no organismos genes proveniente de outro. Esse procedimento pode ser feito até mesmo entre organismos de espécies diferentes (inserção de um gene de um vírus em uma planta, por exemplo) e realizado com plantas, animais e micro-organismos.

 

QUAIS OS RISCOS PARA A AGRICULTURA?

As espécies transgênicas são protegidas por patentes, o que significa que o agricultor que decidir utilizá-las deverá pagar royalties para a empresa detentora da tecnologia.

A consequência mais imediata é o aumento da dependência do agricultor das empresas transnacionais do setor. Isto por que, por regra contratual, o agricultor não pode utilizar as sementes do plantio anterior. Assim tem que comprar as sementes transgênicas a cada safra.

Além disso, é muito difícil o agricultor “se livrar” totalmente das plantas transgênicas, o que pode ocorrer com qualquer plantação, já que, caso ele não queira mais plantá-las, a chance de ainda nascer uma planta transgênica na plantação convencional existe. Caso isso ocorra, ele será compelido a pagar uma multa e mais royalties.

Também existe o risco da contaminação que pode ocorrer por meio de insetos ou até mesmo por meio do vento: é o caso do milho. Assim, se não existir um espaçamento adequado entre as lavouras transgênicas e convencionais, a contaminação pode ocorrer, pegando de surpresa o agricultor no momento da venda. Ocorre com frequência a perda de contrato desses agricultores, já que o comprador estava interessado em um produto não transgênico.

 

QUAIS OS RISCOS PARA A SAÚDE?

São vários e graves os riscos potenciais, tendo os cientistas apontado como os principais deles:

1. Aumento das alergias

Quando se insere um gene de um ser em outro, novos compostos podem ser formados nesse organismo, como proteínas e aminoácidos. Se este organismo modificado geneticamente for um alimento, seu consumo pode provocar alergias em parcelas significativas da população, por causa dessas novas substâncias. Por exemplo, no Instituto de Nutrição de York, Inglaterra, em 1999, uma pesquisa constatou o aumento de 50% na alergia a produtos à base de soja, afirmando que o resultado poderia ser atribuído ao consumo de soja geneticamente modificada.

Outra preocupação é que se o gene de uma espécie que provoca alergia em algumas pessoas for usado para criar um produto transgênico, esse novo produto também pode causar alergias, porque há uma transferência das características daquela espécie.

Foi o que aconteceu nos Estados Unidos: reações em pessoas alérgicas impediram a comercialização de uma soja que possuía gene de castanha-do-pará (que é um famoso alergênico).

2. Aumento de resistência aos antibióticos

Para se certificar de que a modificação genética "deu certo", os cientistas inserem genes (chamados marcadores) de bactérias resistentes a antibióticos. Isso pode provocar o aumento da resistência a antibióticos nos seres humanos que ingerem esses alimentos. Em outras palavras, pode reduzir ou anular a eficácia dos remédios à base de antibióticos, o que é uma séria ameaça à saúde pública.

3. Aumento das substâncias tóxicas

Existem plantas e micróbios que possuem substâncias tóxicas para se defender de seus inimigos naturais, os insetos, por exemplo. Na maioria das vezes, não fazem mal ao ser humano. No entanto, se o gene de uma dessas plantas ou de um desses micróbios for inserido em um alimento, é possível que o nível dessas toxinas aumente muito, causando mal às pessoas, aos insetos benéficos e aos outros animais. Isso já foi constatado com o milho transgênico Bt, que pode matar lagartas de uma espécie de borboleta, a borboleta monarca, que é um agente polinizador. Sequer a toxicidade das substâncias inseridas intencionalmente nas plantas foi avaliada adequadamente. Estas substâncias estão entrando nos alimentos com muito menos avaliação de segurança que qualquer aditivo, corante, pesticida ou medicamento.

4. Maior quantidade de resíduos de agrotóxicos

Com a inserção de genes de resistência a agrotóxicos em certos produtos transgênicos, as pragas e as ervas-daninhas poderão desenvolver a mesma resistência, tornando-se "super-pragas" e "super-ervas". Por exemplo, a soja Roundup Ready tem como característica resistir à aplicação do herbicida Roundup (glifosato). Consequentemente, haverá necessidade de aplicação de maiores quantidades de veneno nas plantações, o que representa maior quantidade de resíduos tóxicos nos alimentos que nós consumimos. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou em 2004 o aumento em cinquenta vezes do limite de glifosato permitido em alimentos a base de soja. Os prejuízos para o meio ambiente também serão graves: maior poluição dos rios e solos e desequilíbrios incalculáveis nos ecossistemas.

 

QUAIS OS RISCOS PARA O MEIO AMBIENTE?

Os perigos que os transgênicos podem oferecer ao meio ambiente são muitos.

A inserção de genes de resistência a agrotóxicos em certos produtos transgênicos faz com que as pragas e as ervas-daninhas (inimigos naturais) desenvolvam a mesma resistência, tornando-se "super-pragas" e "super-ervas".

Por exemplo, a soja Roundup Ready tem como característica resistir à aplicação do herbicida Roundup (glifosato). Isso vai exigir a aplicação de maiores quantidades de veneno nas plantações, com maior poluição dos rios e solos. Haverá ainda desequilíbrios nos ecossistemas a partir da maior resistência desenvolvida, ao longo dos anos, pelas pragas e ervas-daninhas.

Para o Brasil, detentor de uma biodiversidade ímpar, os prejuízos decorrentes da poluição genética e da perda de biodiversidade são outros graves problemas relacionados aos transgênicos.

sábado, 30 de junho de 2018

Cana Transgênica

20 milhões de mudas dá prá infiltrar-se em muitos setores.

Agora que os transgênicos abarcaram os medicamentos, alimentos, têxteis, produtos de limpeza, passam a englobar os combustíveis, bebidas e a cascata de produtos relacionados à cana de açúcar.

https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/desenvolvida-em-piracicaba-cana-transgenica-resiste-a-principal-praga-e-promete-reducao-no-uso-de-agrotoxicos.ghtml

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Coalhos para queijos

Produção de queijo: origem dos coalhos

 14 janeiro 2015, quarta-feira

Por: Joana Fernandes

A coagulação é a etapa mais decisiva na produção de queijos, a qual visa concentrar a proteína do leite, retendo também a gordura.

Para tal, é nessa fase produtiva que é necessária a adição do coalho.

O coalho ou renina não é mais que uma mistura de  enzimas (ex. quimosina e pepsina) que quando adicionado ao leite produz a primeira etapa de formação do queijo, a coagulação.

As enzimas constituintes do coalho têm como função hidrolisar caseínas, especificamente a fração proteica kappa-caseína, que estabiliza a formação de micelas e previne a coagulação do leite. Portanto, a coagulação do leite corresponde à formação de um coágulo firme (insolúvel), a coalhada, obtido através de modificações físico-químicas das micelas de caseína, em tempo determinado. A obtenção deste gel pode ocorrer por acidificação, ou por ação enzimática com o recurso a um coalho. Estes dois mecanismos são bastante distintos e dão origem, por consequência, a queijos totalmente diferentes (Cavalcante, 2004)

A coagulação ácida é obtida por via biológica através da produção de ácido láctico pelas bactérias do fermento, ou pela adição de ácidos orgânicos diretamente ao leite. Tem uma duração média de 24 horas, com o auxílio de elevada acidez e, atualmente, é uma tecnologia aplicada a um número limitado de tipos de queijo, sendo o mais conhecido deles o Petit-suisse.

A coagulação enzimática é realizada através da utilização de enzimas proteolíticas comercializadas na forma de soluções enzimáticas, vulgarmente designadas por coalho. São várias e de distintas origens as enzimas proteolíticas capazes de promover a coagulação do leite. (Cavalcante, 2004).

Essas enzimas (coalho) agem sobre a fração “kapa” da caseína destruindo a sua capacidade protetora, de modo que as partículas coloidais se tornam instáveis na presença de iões de cálcio, levando à coagulando o leite.

Na prática, para a coagulação enzimática é necessário determinar a quantidade de coalho a utilizar, levando em consideração a força do mesmo, ou seja, o seu poder coagulante e o tipo de queijo que se deseja, condicionado ao tempo de coagulação, a temperatura, a acidez e as concentrações de caseína e de cálcio solúvel.

Tipos de coalho disponíveis para o processo de coagulação enzimática

Coalhos de origem animal

No grupo de coagulantes de origem animal, o coalho de bezerro ou vitelo é considerado o mais adequado para a fabricação de queijos pelo seu elevado conteúdo de quimosina (Antunes, et al, 2004).

A fonte tradicional da quimosina é o abomaso (quarto estômago dos ruminantes) de bezerros lactentes (que ainda dependem do leite materno para a sua sobrevivência) ou de outros ruminantes jovens. Os bezerros recém-nascidos e outros ruminantes produzem no estômago a quimosina para coagular o leite ingerido produzindo uma massa semilíquida, que permite aumentar o tempo de permanência do leite no organismo.

A produção de coalho em pequena escala é realizada da seguinte forma, entre outras possíveis: imediatamente após os sacrifício do bezerro, que foi alimentado somente com leite, extrai-se o abomaso, este é lavado e cortado em tiras de onde se extrai o coalho com o auxílio de uma solução de cloreto de sódio (12-20%). Após a extração, filtra-se e purifica-se a solução por precipitação salina. Esta solução é conservada pela adição de sal e ácido bórico, entretanto se for destinada ao consumo humano usa-se a glicerina como conservante (Basso, A., et al, s/d).

No abomaso e extratos de outros tecidos do estômago animal, as proporções de quimosina e pepsina variam de acordo com a idade do animal e tipo de alimentação. Extratos provenientes de estômagos de bezerros jovens possuem alto conteúdo de quimosina, sendo a sua composição, normalmente 80-90% de quimosina e 10-20% pepsina. Por sua vez, os coalhos de bovinos adultos apresentam um maior conteúdo de pepsina, em torno de 90% (Antunes, et al, 2004)

Os métodos de preparação, padronização e conservação do coalho são variáveis em relação ao fabricante.

No entanto, o coalho deve ser diluído de 6 a 10 vezes em água para que ocorra uma distribuição homogênea no leite. Caso a diluição não seja realizada com rapidez, o coalho pode perder a sua atividade.

A luz também o inativa, por este motivo devem ser usados recipientes de cerâmica, madeira ou vidros escuros (Basso, A., et al, s/d).

Coalhos pepsínicos

A pepsina é uma enzima proteolítica presente em coalhos de bovinos, sendo encontrada nos sucos gástricos dos bovinos adultos, como substituinte da quimosina, encontrada somente em bezerros. A pepsina apresenta-se menos ativa como coagulante a pH superior a 6,68 e a temperaturas maiores que 44°C.

O tempo de coagulação até o corte da coalhada é maior quando se utiliza coalhos pepsínicos. (Basso, et al, s/d)

No entanto a pepsina bovina é uma enzima mais proteolítica e menos específica que a quimosina, e em condições favoráveis pode hidrolisar excessivamente as caseínas, podendo causar diminuição no rendimento, sabor amargo e aumento de proteólise geral nos queijos (Dornellas, 1997).

Coalhos vegetais

O primeiro coagulante de origem vegetal foi o látex da figueira (Ficus carica) pois há relatos da existência desta árvore desde a antiguidade.

Muitos extratos vegetais são capazes de coagular o leite, entretanto existem alguns que são excessivamente proteolíticos como a papaína da Carica papaya e a bromelina do Ananas sativa. (Basso, et al, s/d)

Um dos coalhos vegetais mais usados é o extrato de Cynara cardunculos (cardo selvagem) constituído pela enzima cinarase, sendo o mais utilizado para a fabricação de queijos artesanais em Portugal, como o Serra e o Serpa (Antunes, et al, 2004).

Coalhos microbianos

Nos últimos anos tem sido difundido o uso de coagulantes de origem bacteriana e fúngica.

Foram várias as razões que levaram à necessidade de investigação de novos tipos de coalhos, desde o aumento da produção leiteira, o aumento da produção mundial de queijos e consequentemente a escassez da disponibilidade de coalho bovino, bem como as constantes críticas aos preparados comerciais de enzimas coagulantes (coalhos industriais) por conterem não apenas a enzima específica, cuja atividade é impressa no rótulo, mas também outras enzimas produzidas pelo mesmo material de origem/organismo, e que causariam efeitos colaterais nos alimentos (Enzima: natureza e ação nos alimentos, 2011).

Tem-se investigado a capacidade proteolítica e coagulante de centenas de culturas de bactérias e fungos.

Os Bacillus polymyxa, Bacillus mesentericus e o fungo Russula discolorus são alguns microrganismos usados como novas fontes de coagulantes láticos (Basso, et al, s/d). A atividade dos diversos coalhos microbianos varia de acordo com o pH e com o sistema enzimático.

O coagulante derivado do Rhizomucor mihei tem sido o mais predominante na fabricação de queijos (Antunes, et al, 2004).

A protease presente no coalho do Rhizomucor miehei degrada rapidamente a caseína na faixa de pH 5,5-7,0 sendo este extrato muito usado na fabricação de vários tipos de queijo.

A adição de cloreto de sódio (NaCl) no leite prolonga o tempo de coagulação quando se está a usar esta enzima, enquanto que a adição de cloreto de cálcio (CaCl2) o reduz consideravelmente. Este extrato é sensível a temperaturas na faixa de 37 a 45°C sendo destruído a temperatura superior a 70°C.

O coalho de M. miehei pode ser usado tanto como extrato puro como em misturas com outros coalhos.

Com o início do uso de coalhos microbianos teve início a utilização de misturas tais como:

Coalho de bezerro/ extrato fúngicoCoalho de bezerro/ extrato bacterianoExtrato fúngico/ pepsinaExtrato bacteriano/ pepsina (Basso, et al, s/d)

 

Coalho industrial 100% Quimosina

Sendo que a quantidade de quimosina que se consegue obter dos bezerros é sempre inferior às exigências de mercado, e como a maioria das proteases presentes em coalhos de origem fúngica não se mostram muito adequadas para a fabricação de alguns tipos de queijo (devido à alta atividade proteolítica e pouca especificidade), hoje em dia a maior parte da quimosina utilizada é produzida laboratorialmente com leveduras, fungos ou bactérias geneticamente modificadas (num processo semelhante à produção de insulina) (Basso, et al, s/d).

Atualmente, através das técnicas de manipulação genética de microrganismos é possível a produção de um coagulante 100% de quimosina.

Este coalho (coagulante) nasceu da introdução de genes de estomagos de ruminantes em alguns microorganismos (Kluyveromyces lactis, Aspergillus niger var awamori , Escherichia coli) direcionando-os para a produção de quimosina. Dessa forma, a quimosina produzida é 100% pura, eliminando os problemas de proteólise acentuada.

Por ser produzido por microrganismos transgénicos, a  aprovação deste coalho levou vários anos. Antes de ser colocado no mercado, foram feitos testes intensivos de segurança alimentar e ambiental, sendo aprovado, por várias organizações de segurança alimentar, no final de década de 90.

Tratando-se de um coalho composto por 100% de quimosina apresenta maior especificidade e menor atividade proteolítica, o qual proporciona melhores características aos queijos (Dornellas, 1997).

Bibliografia

Antunes, L. A. F.; Vilela S. C.; Campos, S.; Dutra, E. R. P.; Munck, A. V., 2004. Critérios para escolha de um coagulante. Ha-la biotec: Chr Hansen. Valinhos, n. 82, 4.Basso, A., Seolin, R., s/d. Produção de queijos. Universidade de Santa Catarina: Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos. URL: http://www.enq.ufsc.br/labs/probio/disc_eng_bioq/trabalhos_grad2004/queijos/default.htm acedido a 4 de abril de 2013.Cavalcante, F., 2004. Produção de queijos gouda, gruyére, mussarela e prato. Trabalho de conclusão de curso, Departamento de Matemática e Física – Engenharia de Alimentos, Universidade Católica de Goiás, Goiás-Brasil, 111 pp.Dornelas, J.R.F., 1997. Efeito do tipo de coagulante e acidificante no rendimento, proteólise e "Shelf life" do queijo minas frescal. Dissertação - Mestrado em Tecnologia de Alimentos. Faculdade de Engenharia de Alimentos, Universidade Estadual de Campinas.Enzima: natureza e ação nos alimentos. 2011. Food ingredients Brasil, nº16, p.26-37. URL: http://www.revista-fi.com/ acedido a 8 de abril de 2013.Hohendorff, C., Santos, D., 2006. Produção de queijos. Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos – Engenharia Bioquímica, UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 39 pp.IUBMB, 2013. URL: http://www.iubmb.org/index.php?id=3 acedido a 8 de abril de 2013.Martins, A., 2009. Quimosina. Tecnologia de fabricação de queijo – UEG.Peixoto, A. M. S., Praça, E. F., Góis, V. A., (Julho/Dezembro 2007). A potencialidade microbiológica de coagulação do coalho líquido artesanal. Revista verde de agroecologia e desenvolvimento sustentável, v.2, nº2, p. 52-64.Vieira, A. T. B., Rensis, C. M. V. B., 2011. Efeito do uso de quimosina pura como coagulante na composição química e proteólise do queijo prato. Seminário  de iniciação  científica:  PIBIC/UNOPAR.   Londrina:   UNOPAR

sábado, 21 de maio de 2016

Rotulagem para qualquer proporção


19/05/16

STF garante rotulagem de qualquer teor de transgênicos

Ministro rejeita recurso e mantém decisão obtida pelo Idec que exige informação no rótulo sobre uso de ingredientes geneticamente modificados, independentemente da quantidade.
Fonte:  Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)

O direito dos consumidores brasileiros à informação sobre transgênicos volta a prevalecer. Em decisão proferida no último dia 12, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin manteve a decisão obtida pelo Idec e voltou a garantir a indicação no rótulo de alimentos que utilizam ingredientes geneticamente modificados, independentemente da quantidade presente.

A exigência estava suspensa desde 2012, por uma decisão liminar (provisória) do ministro Ricardo Lewandovski, do STF, que atendeu ao pedido da União e da Associação Brasileira de Indústria de Alimentos (Abia) contra a decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), que foi favorável à ação do Idec.

A União e Abia alegavam que a decisão do TRF-1 “usurpava a competência” do STF de decidir sobre o tema. Mas, ao julgar o recurso, Fachin não concordou. Em decisão monocrática (analisada apenas por um julgador), o ministro relator do processo validou a decisão do Tribunal.

Código do Consumidor x Decreto

A decisão do TRF-1 que voltou a valer acolhe o pedido do Idec de rotulagem de qualquer teor de transgênicos e afasta a aplicação do Decreto n° 4.680/03, que flexibiliza a exigência de rotulagem apenas para produtos que contêm mais de 1% de ingredientes geneticamente modificados.

O Tribunal considerou que o direito à informação previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC) se sobrepõe ao decreto.

“A decisão do STF é muito importante neste momento, pois  enfraquece o PL que quer acabar com a rotulagem de transgênicos. Ela mantém a decisão fruto de uma Ação Civil Pública que garante que todos os alimentos geneticamente modificados devem ser rotulados, fortalecendo o direito à informação e o CDC”, destaca Claudia Pontes Almeida, advogada do Instituto.

A União e a Abia ainda podem entrar com novo recurso para que o tema seja analisado pelo plenário do STF. Mas, por hora, o direito à informação venceu mais uma vez.

Histórico da ação

Relembre os principais fatos envolvendo a ação do Idec para garantir a rotulagem de transgênicos:

2001: Idec entra com Ação Civil Pública contra a União para exigir informação clara no rótulo de alimentos sobre o uso de transgênicos, independentemente do teor de ingredientes geneticamente modificados presentes

2003: publicado o Decreto 4.680/03, que exige rotulagem apenas para produtos com mais de 1% de transgênicos

2007: sentença acolhe o pedido do Idec e obriga rotulagem de transgênicos, independentemente do teor. União e Abia entram com recurso

2009:  TRF-1 rejeita recurso e mantém sentença favorável aos consumidores, fruto da ACP do Idec. Abia e União recorrem ao STF.

2012: ministro do STF Ricardo Lewandovski acolhe pedido da União e Abia e concede liminar suspendendo decisão do TRF-1 até que o recurso seja julgado.

maio de 2016: ministro Edson Fachin, do STF, julga e rejeita o recurso, validando decisão do TRF-1 que garante a rotulagem de qualquer teor de transgênicos, como pediu o Idec em 2001

quarta-feira, 11 de março de 2015

Monsanto revela que milho transgênico pode fazer mal à saúde



"O milho, um dos alimentos mais antigos da história da humanidade, atualmente tem a maior parte da sua produção destinada, no Brasil, ao consumo animal. Apenas cerca de 15% é para o consumo humano.

O problema em torno deste alimento, defendido por conter vitaminas A e do complexo B, proteínas e minerais como o ferro, fósforo, potássio e cálcio, tem fundamento na utilização do grão transgênico.



 Um artigo publicado no International Journal of Biological Sciences mostrou que o consumo da semente modificada tem efeitos negativos principalmente sobre fígado e rim, órgãos ligados à eliminação de impurezas7.

Embora suas propriedades nutricionais sejam mantidas, o estudo francês revelou que os grãos do milho transgênico apontam claros sinais de toxidade. O biólogo molecular Gilles-Eric Séralini e sua equipe puderam divulgar a pesquisa depois que um decisão judicial obrigou a Monsanto revelar sua própria análise dos grãos que manteve em sigilo impedindo que a informação se tornasse pública.

Os franceses então divulgaram a comparação dos efeitos das sementes MON 863, NK 603 e MON 810 sobre a saúde de mamíferos, sendo as duas últimas permitidas no Brasil, bem como sementes resultantes do seu cruzamento.



 No caso do NK 603, os dados apontam perda renal e alterações nos níveis de creatinina no sangue e na urina, que podem estar relacionados a problemas musculares. É por esse motivo que os pesquisadores destacam que o coração foi afetado nos ratos alimentados com esta variedade.



O quadro para o MON 810 não muda muito. Embora os machos em geral demonstrem maior sensibilidade a tóxicos, foram as fêmeas que apresentaram ligeiro aumento do peso dos rins, que pode corresponder a uma hiperplasia branda, geralmente presente quando associada a processos imunoinflamatórios.



 Os autores do artigo publicado no International Journal of Biological Sciences concluíram que os dados sugerem fortemente que estas três variedades de milho transgênico induzem a um estado de toxicidade, que pode resultar da exposição a pesticidas (glifosato e Bt) que nunca fizeram parte de nossa alimentação.





 A Comissão Técnica de Biossegurança, a CTNBio, informa que “o milho NK603 é tão seguro quanto às versões convencionais”, que a modificação genética “não modificou a composição nem o valor nutricional do milho”, que “há evidências cientificas sólidas de que o milho NK 603 não apresenta efeitos adversos à saúde humana e animal” e que “o valor nutricional do grão derivado do OGM referido tem potencial de ser, na realidade, superior ao do grão tradicional”. A CTNBio também avalia que no caso do MON 810 “os efeitos intencionais da modificação não comprometeram sua segurança nem resultaram em efeitos não-pretendidos” e que a “proteína é tóxica somente para lagartas”.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Relatório Consistente

Car@s Amig@s,

no ano de 2013 o Conselho Nacional de Segurança Alimentar realizou dois eventos chamados Mesa de Controvérsias nos quais reuniu técnicos, gestores, especialistas e representantes de organizações sociais para debater a situação dos transgênicos no Brasil e seus impactos sobre a agricultura e a segurança alimentar. Os debates ressaltaram a necessidade de se retomar o controle sobre a oferta de sementes no país, hoje cada vez mais dominada por empresas multinacionais, e de se aperfeiçoar e aumentar o rigor e a transparência dos processos de tomada de decisão sobre biossegurança e avaliação de risco das plantas e demais organismos transgênicos no Brasil.



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Milho Orgânico

Boa notícia!
Boa providência!




Olá Pessoal:

Conforme decidido em nossa reunião de ontem, 26/01/2015, na sede da Embrapa Meio Ambiente em Jaguariúna solicitamos a todos os que tiverem informações sobre a localização de atuais plantações de milho em sistema orgânico, e que tenham vizinhos que cultivem milho OGM, que entrem em contato conosco, para que possamos efetuar a Fiscalização de Coexistência nas propriedades que cultivem transgênicos.

A fiscalização de propriedades que cultivam milho OGM é uma atividade de rotina do MAPA, e será realizada pelos técnicos do Setor de Sanidade Vegetal da Superintendência do MAPA em São Paulo.

Vale lembrar que não se trata de fiscalização das propriedades orgânicas, mas sim dos vizinhos que cultivam transgênicos.

As regras de coexistência, a respeito das quais o nosso setor tece severas críticas, só valem para agricultores que tenham vizinhos que cultivem milho em sistema orgânicos ou cultivares não OGM. 

A fiscalização trata do cumprimento da Resolução Normativa n°4/2007 da CTNBio que estabelece as distâncias de isolamento entre as culturas OGM e não OGM.

As informações (localização das propriedades que cultivem milho orgânico e tenham vizinho cultivando milho OGM) devem ser encaminhadas aos seguintes endereços: 

Obrigado.

Marcelo Silvestre Laurino
Fiscal Federal Agropecuário / Coordenador da CPOrg/SP
UOP Piracicaba / UTRA Campinas / SFA-SP
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Tel: (19) 3422-9505

 
  
Rua Campos Salles, 507 – Cidade Jardim
13.400-200 Piracicaba / SP
S 22°42’58.1” W 47°38’47.1”

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Coalho Transgênico


Disponibilizo os detalhes de dois tipos de coalho utilizado entre nós a título de exemplo como os transgênicos estão disseminados de forma subliminar em nosso cotidiano


CHY-MAX® MQuimosina oriunda do OGM Aspergillus niger utilizada para queijos



CHYMOSINS FROM GENETICALLY MODIFIED MICROORGANISMS

CHYMOSINS A AND B FROM GENETICALLY
    MODIFIED MICROORGANISMS

    First draft prepared by Dr F.S.D. Lin,
    Division of Toxicological Review and Evaluation
    Center for Food Safety and Applied Nutrition,
    US Food and Drug Administration

    1.  EXPLANATION

         Chymosins A and B derived from genetically modified
    microorganisms have not been previously evaluated by the Joint
    FAO/WHO Expert Committee on Food Additives.

         Chymosin, commonly known as rennin, is the principal milk-
    coagulating enzyme present in rennet.  Rennet, which has a long and
    extensive history of safe use in making cheese and other dairy
    products, is commercially prepared by aqueous extraction of dried
    fourth stomach of unweaned calves.  The aqueous extract contains a
    chymosin precursor, prochymosin, which is subsequently converted to
    enzymatically active chymosin.  Commercial preparations of calf
    rennet contain two forms of chymosin, A and B, usually in the
    proportion of about 40% of A and 60% of B.  Health aspects of rennet
    as a food ingredient were reviewed and evaluated at the fifteenth
    meeting of the Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives in
    1972 (Annex 1, reference 26).

         Biochemically, chymosin (IUB No. 3.4.4.3) is a protein
    consisting of a single polypeptide chain of 323 amino acids with
    intramolecular disulfide linkages.  Chymosins A and B have been
    shown to differ only by one amino acid in the polypeptide chain; the
    former has an aspartic acid residue at position 286, whereas the
    latter has a glycine residue at the same position.

         Chymosin is produced intracellularly as preprochymosin. 
    Preprochymosin is shortened by 16 amino acids during secretion and
    appears in the stomach as prochymosin, which, in turn, is activated
    to chymosin by cleavage of an additional 42 amino acids.

         As a proteolytic enzyme, chymosin hydrolyses a specific bond in
    kappa-casein of milk, cleaving it into two peptides, para-kappa-
    casein and a macropeptide.  In milk, kappa-casein acts as a micelle
    stabilizer.  After this activity is destroyed by chymosin, milk
    coagulation occurs.  Chymosin A slightly exceeds chymosin B in
    proteolytic activity, whereas chymosin B is more stable at low pH
    (< 3.5) than chymosin A.

         In recent years recombinant DNA technology has made it possible
    to obtain calf chymosin as a fermentation product from
    nontoxicogenic and nonpathogenic strains of bacterium, yeast or

    filamentous fungus, which have been transformed with a plasmid
    vector containing a DNA sequence coding for the chymosin precursor. 
    Available biochemical evidence has established that the transferred
    prochymosin sequence can be expressed correctly in the new host
    organisms.  The prochymosin product has the same molecular weight as
    prochymosin found in calf rennet and it can be cleaved into chymosin
    that has the same chemical, physical and functional (enzymatic)
    properties as its mammalian counterpart.

         The three recombinant chymosins that were reviewed in this
    monograph, as well as their respective production organisms are
    identified below:

         (1)  chymosin A from  Escherichia coli K-12

         (2)  chymosin B from  Kluyveromyces lactis, and

         (3)  chymosin B from  Aspergillus niger var.  awamori.

    1.1  Chymosin A produced from  Escherichia coli K-12 containing
         calf prochymosin A gene

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feijão

Repico esta matéria do Blog GenPeace, ratificando a sinergia com posturas coerentes e instrutivas contra esta peste que avassala a humanidade.



Em artigo enviado ao Jornal da Ciência e publicado em 22 de dezembro de 2014, o Dr. Nagib Nassar (UnB) defende decisão da Embrapa de não liberar o feijão transgênico e contesta posição da CTNBio (http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/6-o-feijao-transgenico-decisao-e-licoes/) . Sua posição é diametralmente oposta à da maioria dos cientistas que se debruçaram sobre a avaliação de risco deste feijão (evento EMBRAPA 5.1) e que está resumidamente exposta emhttp://bch.cbd.int/database/attachment/?id=13795 . A seguir rebato, parágrafo por parágrafo, o texto do Nagib enviado ao Jornal da Ciência (SBPC), que já havia publicado outro texto sobre o assunto, de autoria do Dr. Walter Colli, com o qual me alinho inteiramente. Também publiquei aqui uma carta do Dr. Luiz Antônio Barreto de Castro, protestando contra novos atrasos na liberação comercial efetiva deste feijão.

****************************************************

Nagib: Numa decisão inédita, corajosa e consciente , a atual diretoria da Embrapa cancelou experimentos de avaliação de feijão transgênico e impediu seu uso e consumo. A variedade é a mesma que foi desenvolvida pela instituição e lançada com muita euforia três anos atrás.
Minhas observações: O Nagib está enganado: a diretoria não cancelou experimento algum, apenas aparentemente adiou a colocação no mercado. Digo “aparentemente” porque o texto da Nota Técnica, já retirada do portal da EMBRAPA, não deixava claro que poderia haver sequer este adiamento. Ainda que numa nota oficial, ainda online, a EMBRAPA apoie integralmente o feijão EMBRAPA 5.1 (https://www.embrapa.br/esclarecimentos-oficiais/-/asset_publisher/TMQZKu1jxu5K/content/tema-feijao-embrapa-5-1-), as reações negativas à Nota foram muitas e a diretoria, seguramente, deve nos próximos dias esclarecer a questão aos brasileiros, que merecem respeito e atenção de qualquer empresa, mormente uma que seja “nossa”, isto é, do Governo.

Nagib:A Embrapa verificou pela experimentação científica no campo e sob condições naturais, que esta variedade seria inútil como técnica de controle de vírus de feijão.
Minhas observações: Mais uma vez, o Nagib se engana: o que a EMBRAPA verificou era a existência de mais um novo vírus, mas isso em nada invalida a eficiência do feijoeiro EMBRAPA 5.1 no controle do vírus do mosaico dourado. Razão tem o Dr. Colli, não adotar o feijão GM por causa de outra virose é o mesmo que não tratar um paciente contra uma infecção por causa de outra, apenas porque os remédios são diferentes.

Nagib: Há uma história dramática desde o lançamento e aprovação dessa variedade há três anos. A história vivida por nós agrônomos,
 Ambientalistas e geneticistas, e até jornalistas atraídos por falsa promessa, fez com que um deputado afirmasse antecipadamente, num jornal de grande porte, que nós (já) havíamos resolvido o problema da fome e alimentos no Brasil.Minhas observações: Deputados, eleitores e também cientistas podem se enganar e fazer escolhas e afirmações sem base na realidade, como a do deputado e, por que não, como as do Nagib neste texto ao Jornal da Ciência. A afirmação do deputado e estas aqui, do cientista, não podem ser levadas muito adiante.

Há três anos, por decisão tomada por quinze integrantes de CTNBio, formado por representantes de ministérios como Defesa , Relações Exteriores e outros, autorizou plantio e consumo de feijão transgênico, enquanto quatro outros votos de saúde ,
 Meio Ambiente e ONGs, defenderem realizar mais estudos. O Conselho de Segurança Alimentar (CONSEA) na mesma época – no mês de julho do mesmo ano – manifestou para a presidente da República sua preocupação com a atuação da CTNBio em relação a precaução e a violação ali cometida , e alertou para a insuficiência de estudos para liberação do feijão transgênico .
Minhas observações: O Nagib propositalmente começa com os Ministérios que parecem ter menos relação com a avaliação de risco do OGM, escondendo ao leitor que, nos “outros” estão o Ministério da Ciência e Tecnologia, as sociedades científicas e o Ministério da Agricultura. Toda a celeuma histórica está comentado nos linkshttp://genpeace.blogspot.com.br/2011/10/avaliacao-de-risco-do-feijoeiro.html e http://genpeace.blogspot.com.br/2011/10/avaliacao-de-risco-do-feijoeiro.html , entre outros. Este último, aliás, comenta um artigo publicado em 2011 no mesmo Jornal da Ciência, que contém essencialmente as mesmas argumentações do Nagib. 

Nagib: Mais do que isso, foi voto vencido o relato de especialista relator que criticou o fato de estudos serem baseados em apenas 3 ratos ; número pequeno demais para chegar a conclusões estatísticas válidas de biossegurança. Mesmo assim todos machos abatidos antes de idade adulta apresentaram tendência de diminuição de tamanho de rins e de aumento do peso de fígado.
Minhas observações: Foram muitos os relatores e só um viu “problemas”, até na tramitação do processo. A oposição foi voto largamente vencido porque não havia ciência nem substância legal em suas argumentações. Os experimentos com animais eram, desde o início, perfeitamente inúteis, porque não há novas proteínas expressas neste feijão e porque os dsRNA não resistem à fervura, mesmo que branda. Além disso, os grupos experimentais, ainda que pequenos (foram vários tratamentos), eram suficientes. Mas nada estatisticamente significativo foi observado. Está tudo no dossiê.

Nagib: Desconsiderou-se também o alerta do relator que a legislação estava sendo atropelada, já que deixou-se de apresentar estudo ao longo de duas gerações de animais. Criticou-se que os estudos de campo foram feitos por apenas dois anos e só em três localidades, quando a lei exige testes em toda as regiões onde a planta poderá ser cultivada. Foi afirmado à imprensa, pelo responsável dos experimentes, que testes foram feitos em todos os
Ecossistemas enquanto o processo no CTNBio mostra que ensaios foram realizados somente na casa de vegetação.
Minhas observações: Já comentado acima

Nagib: A durabilidade de resistência ao vírus foi questionada, pois os dados mostraram que a primeira geração de sementes apresentou 30% de plantas suscetíveis a vírus, e se isso se repete a cada geração não haverá resistência no quinta ou sexta geração . É o mesmo que foi verificado ultimamente. O pior é que nenhuma dessas questões freou uma falsa euforia!
Minhas observações: A interpretação do Nagib é inteiramente equivocada, coisa que me espanta por ele mesmo ser um melhorista. Tudo indica que nunca leu o dossiê nem perguntou uma vírgula ao Aragão ou ao Josias, apenas emprenhando pelas orelhas com o que ouve dos seus like-minded.

Nagib: Há muitas lições para aprender, uma delas é que até lançar a variedade, ela custou, pelo valor de hoje, mais de 30 milhões de reais. Não seria bom coletar informações suficientes antes de começar, já que elas existem na literatura científica e são conhecidas por tudo mundo da área. A última foi há doze anos sobre como lançar uma mandioca resistente ao mosaico pela mesma técnica. Custou 15 milhões de dólares e terminou por ser abandonada após poucos anos.
Minhas observações: As informações foram coletadas e comprovam largamente o que, desde o início, se sabia: a tecnologia é capaz de gerar uma variedade com imunidade robusta ao vírus, como acontece com mamoeiros e outras plantas. Se, em outra ocasião, a tecnologia falhou, isso de forma alguma invalida esta nova tentativa, até porque hoje se conhece muitíssimo mais sobre o mecanismo de interferência de RNA do que se sabia quando as primeiras tentativas foram feitas. É o avanço normal da tecnologia e é esta uma lição que o Nagib teima em não aprender.

Nagib:O fato de que a CTNBio é constituída e decide com base e forma política, prejudica o país e o público consumidor. O caso do feijão mencionado acima é uma clara evidência . Há mais exemplos similares. O milho transgênico M 810 é proibido em toda a Europa; Ásia e até em países da África, que o rejeitou mesmo como presente, e preferiram morrer de fome do que intoxicadas. O Brasil é um dos muito poucos países que o aprovaram graças à CTNBio. As atribuições dessa comissão são legalmente designadas pela lei e pela ANVISA, mas infelizmente, por razões políticas, não são respeitadas.
Minhas observações: aqui quem não respeita a verdade nem a CTNBio é o Nagib. A CTNBio decide de forma técnica e suas decisões são essencialmente iguais às de outras agências semelhantes (EFSA, OGTR, EPA+FDA e muitas outras). Aliás, o milho MON810 foi avaliado pela agência europeia (a EFSA), que o considerou seguro. Todos os países podem plantar, se quiserem, e assim o faz Espanha e Portugal. A proibição na França e em outros países (longe de serem todos, nem sequer maioria), esta sim, é fruto da política destes países. Ásia e África vêm adotando com frequência cada vez maior os transgênicos. India, China e África do Sul já os adotam faz muitos anos e agora entram novos países, como o Vietnam e Burkina Faso. O Japão não planta, mas aprova e consome quase todos os transgênicos produzidos no resto do Mundo. Não dá para acreditar que o Nagib não saiba disso e não dá para aceitar que venda esta inverdade aos seus leitores.

Nagib: A última lição vem da decisão corajosa da atual diretoria da Embrapa, que poupou ao País muito sofrimento, e para eles levanto meu chapéu e me curvo respeitosamente.
Minhas observações: pois é, cada um se curva frente ao seu ídolo de barro, ao sabor de sua ignorância ou de sua fé. Eu prefiro me alinhar do outro lado: o feijão é seguro e pode resolver um problema sério da agricultura, muito mais sério que o Carlavírus. Não me curvo a ideologia alguma, neste caso, mas apenas à Ciência e seus resultados. Que lição eu extraio deste episódio? Que a diretoria da EMBRAPA se deixa influenciar pelas hostes contra os transgênicos, que estão em toda parte no Governo e que prejudicam o país, propalando a falência da agricultura moderna e propugnando pela sua extinção. A substituição por um modelo agroecológico, embora ninguém saiba muito bem o que é isso (há muitas definições possíveis, infelizmente), levaria o Brasil para trás. Os dois modelos podem e devem coexistir e, quem sabe, com o tempo vamos migrando do modelo intensivo para o agroecológico, à medida que precisarmos (por várias razões) produzir menos comida e que pudermos fazê-lo de forma competitiva com uma agricultura alternativa ao agronegócio atual.


Eu concluo com a seguinte observação geral: a opinião do Nagib é, na verdade, a opinião de um grupo relativamente heterogêneo que se opõe aos transgênicos por questões ideológicas. O que o Nagib escreveu e o que ele defende são talvez menos suas ideais do que as deste grupo, não apenas neste texto, mas em outros que tive a oportunidade de ler. Não há nada de errado nisso, desde que não se fale em nome da ciência e nem se apresente ao público como pesquisador na área da genética vegetal.

Feijão

Repico esta matéria do Blog GenPeace, ratificando a sinergia com posturas coerentes e instrutivas contra esta peste que avassala a humanidade.



Em artigo enviado ao Jornal da Ciência e publicado em 22 de dezembro de 2014, o Dr. Nagib Nassar (UnB) defende decisão da Embrapa de não liberar o feijão transgênico e contesta posição da CTNBio (http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/6-o-feijao-transgenico-decisao-e-licoes/) . Sua posição é diametralmente oposta à da maioria dos cientistas que se debruçaram sobre a avaliação de risco deste feijão (evento EMBRAPA 5.1) e que está resumidamente exposta emhttp://bch.cbd.int/database/attachment/?id=13795 . A seguir rebato, parágrafo por parágrafo, o texto do Nagib enviado ao Jornal da Ciência (SBPC), que já havia publicado outro texto sobre o assunto, de autoria do Dr. Walter Colli, com o qual me alinho inteiramente. Também publiquei aqui uma carta do Dr. Luiz Antônio Barreto de Castro, protestando contra novos atrasos na liberação comercial efetiva deste feijão.

****************************************************

Nagib: Numa decisão inédita, corajosa e consciente , a atual diretoria da Embrapa cancelou experimentos de avaliação de feijão transgênico e impediu seu uso e consumo. A variedade é a mesma que foi desenvolvida pela instituição e lançada com muita euforia três anos atrás.
Minhas observações: O Nagib está enganado: a diretoria não cancelou experimento algum, apenas aparentemente adiou a colocação no mercado. Digo “aparentemente” porque o texto da Nota Técnica, já retirada do portal da EMBRAPA, não deixava claro que poderia haver sequer este adiamento. Ainda que numa nota oficial, ainda online, a EMBRAPA apoie integralmente o feijão EMBRAPA 5.1 (https://www.embrapa.br/esclarecimentos-oficiais/-/asset_publisher/TMQZKu1jxu5K/content/tema-feijao-embrapa-5-1-), as reações negativas à Nota foram muitas e a diretoria, seguramente, deve nos próximos dias esclarecer a questão aos brasileiros, que merecem respeito e atenção de qualquer empresa, mormente uma que seja “nossa”, isto é, do Governo.

Nagib:A Embrapa verificou pela experimentação científica no campo e sob condições naturais, que esta variedade seria inútil como técnica de controle de vírus de feijão.
Minhas observações: Mais uma vez, o Nagib se engana: o que a EMBRAPA verificou era a existência de mais um novo vírus, mas isso em nada invalida a eficiência do feijoeiro EMBRAPA 5.1 no controle do vírus do mosaico dourado. Razão tem o Dr. Colli, não adotar o feijão GM por causa de outra virose é o mesmo que não tratar um paciente contra uma infecção por causa de outra, apenas porque os remédios são diferentes.

Nagib: Há uma história dramática desde o lançamento e aprovação dessa variedade há três anos. A história vivida por nós agrônomos,
 Ambientalistas e geneticistas, e até jornalistas atraídos por falsa promessa, fez com que um deputado afirmasse antecipadamente, num jornal de grande porte, que nós (já) havíamos resolvido o problema da fome e alimentos no Brasil.Minhas observações: Deputados, eleitores e também cientistas podem se enganar e fazer escolhas e afirmações sem base na realidade, como a do deputado e, por que não, como as do Nagib neste texto ao Jornal da Ciência. A afirmação do deputado e estas aqui, do cientista, não podem ser levadas muito adiante.

Há três anos, por decisão tomada por quinze integrantes de CTNBio, formado por representantes de ministérios como Defesa , Relações Exteriores e outros, autorizou plantio e consumo de feijão transgênico, enquanto quatro outros votos de saúde ,
 Meio Ambiente e ONGs, defenderem realizar mais estudos. O Conselho de Segurança Alimentar (CONSEA) na mesma época – no mês de julho do mesmo ano – manifestou para a presidente da República sua preocupação com a atuação da CTNBio em relação a precaução e a violação ali cometida , e alertou para a insuficiência de estudos para liberação do feijão transgênico .
Minhas observações: O Nagib propositalmente começa com os Ministérios que parecem ter menos relação com a avaliação de risco do OGM, escondendo ao leitor que, nos “outros” estão o Ministério da Ciência e Tecnologia, as sociedades científicas e o Ministério da Agricultura. Toda a celeuma histórica está comentado nos linkshttp://genpeace.blogspot.com.br/2011/10/avaliacao-de-risco-do-feijoeiro.html e http://genpeace.blogspot.com.br/2011/10/avaliacao-de-risco-do-feijoeiro.html , entre outros. Este último, aliás, comenta um artigo publicado em 2011 no mesmo Jornal da Ciência, que contém essencialmente as mesmas argumentações do Nagib. 

Nagib: Mais do que isso, foi voto vencido o relato de especialista relator que criticou o fato de estudos serem baseados em apenas 3 ratos ; número pequeno demais para chegar a conclusões estatísticas válidas de biossegurança. Mesmo assim todos machos abatidos antes de idade adulta apresentaram tendência de diminuição de tamanho de rins e de aumento do peso de fígado.
Minhas observações: Foram muitos os relatores e só um viu “problemas”, até na tramitação do processo. A oposição foi voto largamente vencido porque não havia ciência nem substância legal em suas argumentações. Os experimentos com animais eram, desde o início, perfeitamente inúteis, porque não há novas proteínas expressas neste feijão e porque os dsRNA não resistem à fervura, mesmo que branda. Além disso, os grupos experimentais, ainda que pequenos (foram vários tratamentos), eram suficientes. Mas nada estatisticamente significativo foi observado. Está tudo no dossiê.

Nagib: Desconsiderou-se também o alerta do relator que a legislação estava sendo atropelada, já que deixou-se de apresentar estudo ao longo de duas gerações de animais. Criticou-se que os estudos de campo foram feitos por apenas dois anos e só em três localidades, quando a lei exige testes em toda as regiões onde a planta poderá ser cultivada. Foi afirmado à imprensa, pelo responsável dos experimentes, que testes foram feitos em todos os
Ecossistemas enquanto o processo no CTNBio mostra que ensaios foram realizados somente na casa de vegetação.
Minhas observações: Já comentado acima

Nagib: A durabilidade de resistência ao vírus foi questionada, pois os dados mostraram que a primeira geração de sementes apresentou 30% de plantas suscetíveis a vírus, e se isso se repete a cada geração não haverá resistência no quinta ou sexta geração . É o mesmo que foi verificado ultimamente. O pior é que nenhuma dessas questões freou uma falsa euforia!
Minhas observações: A interpretação do Nagib é inteiramente equivocada, coisa que me espanta por ele mesmo ser um melhorista. Tudo indica que nunca leu o dossiê nem perguntou uma vírgula ao Aragão ou ao Josias, apenas emprenhando pelas orelhas com o que ouve dos seus like-minded.

Nagib: Há muitas lições para aprender, uma delas é que até lançar a variedade, ela custou, pelo valor de hoje, mais de 30 milhões de reais. Não seria bom coletar informações suficientes antes de começar, já que elas existem na literatura científica e são conhecidas por tudo mundo da área. A última foi há doze anos sobre como lançar uma mandioca resistente ao mosaico pela mesma técnica. Custou 15 milhões de dólares e terminou por ser abandonada após poucos anos.
Minhas observações: As informações foram coletadas e comprovam largamente o que, desde o início, se sabia: a tecnologia é capaz de gerar uma variedade com imunidade robusta ao vírus, como acontece com mamoeiros e outras plantas. Se, em outra ocasião, a tecnologia falhou, isso de forma alguma invalida esta nova tentativa, até porque hoje se conhece muitíssimo mais sobre o mecanismo de interferência de RNA do que se sabia quando as primeiras tentativas foram feitas. É o avanço normal da tecnologia e é esta uma lição que o Nagib teima em não aprender.

Nagib:O fato de que a CTNBio é constituída e decide com base e forma política, prejudica o país e o público consumidor. O caso do feijão mencionado acima é uma clara evidência . Há mais exemplos similares. O milho transgênico M 810 é proibido em toda a Europa; Ásia e até em países da África, que o rejeitou mesmo como presente, e preferiram morrer de fome do que intoxicadas. O Brasil é um dos muito poucos países que o aprovaram graças à CTNBio. As atribuições dessa comissão são legalmente designadas pela lei e pela ANVISA, mas infelizmente, por razões políticas, não são respeitadas.
Minhas observações: aqui quem não respeita a verdade nem a CTNBio é o Nagib. A CTNBio decide de forma técnica e suas decisões são essencialmente iguais às de outras agências semelhantes (EFSA, OGTR, EPA+FDA e muitas outras). Aliás, o milho MON810 foi avaliado pela agência europeia (a EFSA), que o considerou seguro. Todos os países podem plantar, se quiserem, e assim o faz Espanha e Portugal. A proibição na França e em outros países (longe de serem todos, nem sequer maioria), esta sim, é fruto da política destes países. Ásia e África vêm adotando com frequência cada vez maior os transgênicos. India, China e África do Sul já os adotam faz muitos anos e agora entram novos países, como o Vietnam e Burkina Faso. O Japão não planta, mas aprova e consome quase todos os transgênicos produzidos no resto do Mundo. Não dá para acreditar que o Nagib não saiba disso e não dá para aceitar que venda esta inverdade aos seus leitores.

Nagib: A última lição vem da decisão corajosa da atual diretoria da Embrapa, que poupou ao País muito sofrimento, e para eles levanto meu chapéu e me curvo respeitosamente.
Minhas observações: pois é, cada um se curva frente ao seu ídolo de barro, ao sabor de sua ignorância ou de sua fé. Eu prefiro me alinhar do outro lado: o feijão é seguro e pode resolver um problema sério da agricultura, muito mais sério que o Carlavírus. Não me curvo a ideologia alguma, neste caso, mas apenas à Ciência e seus resultados. Que lição eu extraio deste episódio? Que a diretoria da EMBRAPA se deixa influenciar pelas hostes contra os transgênicos, que estão em toda parte no Governo e que prejudicam o país, propalando a falência da agricultura moderna e propugnando pela sua extinção. A substituição por um modelo agroecológico, embora ninguém saiba muito bem o que é isso (há muitas definições possíveis, infelizmente), levaria o Brasil para trás. Os dois modelos podem e devem coexistir e, quem sabe, com o tempo vamos migrando do modelo intensivo para o agroecológico, à medida que precisarmos (por várias razões) produzir menos comida e que pudermos fazê-lo de forma competitiva com uma agricultura alternativa ao agronegócio atual.


Eu concluo com a seguinte observação geral: a opinião do Nagib é, na verdade, a opinião de um grupo relativamente heterogêneo que se opõe aos transgênicos por questões ideológicas. O que o Nagib escreveu e o que ele defende são talvez menos suas ideais do que as deste grupo, não apenas neste texto, mas em outros que tive a oportunidade de ler. Não há nada de errado nisso, desde que não se fale em nome da ciência e nem se apresente ao público como pesquisador na área da genética vegetal.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Banana Transgênica

Desenvolvida no século passado, 
Caminhando em direção às nossas escolas.

cuidado!


Prezad@s,
 
           Repasso abaixo comunicado de imprensa lançado pela AFSA- Aliança pela Soberania Alimentar na África  e a Aliança de Soberania Alimentar dos EUA contra a banana transgênica patrocinada pelo Bill Gates. 
 
            O comunicado denuncia testes com banana transgênica em humanos que estão sendo feitos com estudandes mulheres da Universidade de Iowa nos EUA, visando à liberação comercial na África. A variedade transgênica foi desenvolvida na Austrália com recursos da Fundação Bill e Melinda Gates e os testes em humanos (neste caso, humanas!) estão sendo conduzidos pela Universidade de Iowa.  
 
            A carta da AFSA está disponível aqui http://afsafrica.org/afsa-open-letter-opposing-human-feeding-trials-involving-gm-banana/ e conta com o apoio de 126 organziações (incluindo Via Campesina África e Via Campesina América do Norte) e de 26 personalidades.
            Divulguem nas suas redes. Organizações interessadas em apoiar a carta aberta podem contatar diretamente a AFSA nos endereços disponíveis abaixo.
 
Saudações,
 
Angela 
            
 
             

 
Press Release issued by Alliance For Food Sovereignty In Africa and US Food Sovereignty Alliance


Kampala, Uganda and Seattle, Washington- 10th December 2014

The Alliance for Food Sovereignty in Africa (AFSA) is a Pan African platform comprising civil society networks and farmer organisations working towards food sovereignty in Africa has submitted an Open Letter to the Bill and Melinda Gates Foundation, Dr. Wendy White from Iowa State University and the Human Institutional Review Board of Iowa State University expressing fierce opposition to the human feeding trials taking place at Iowa State University involving genetically modified (GM) bananas.

The Open Letter is supported by more than 120 organizations from around the world. Farmers, advocates, consumers and other communities from the United States are represented, including the US Food Sovereignty Alliance (USFSA), FoodFirst, AGRA Watch/Community Alliance for Global Justice and La Via Campesina North America, as well as many from Africa, Europe, Latin America, the United Kingdom, Asia and Australia. Dr. Vandana Shiva, Dr. Jeanne Koopman, Dr. Eva Navotny and Professor Joseph Cummins are among the prominent scientists and academics also supporting the Open Letter.

The GM banana human trials are funded by the Bill and Melinda Gates Foundation and carried out by Iowa State University under the leadership of Dr. Wendy White. The human subjects of these trials are young female students from Iowa State University. Scientists at the Queensland University of Technology in Australia developed the GM banana, also with funds provided by the Gates Foundation. Touted as a ‘Super Banana’ the GM banana in question, has been genetically modified to contain extra beta-carotene, a nutrient the body uses to produce Vitamin A. The results of the human trials are designed to support the release the GM bananas into Ugandan farming and food systems. According to Iowa State University, “Vitamin A deficiency is a major public health problem in Uganda and other countries in Sub-Saharan Africa and leads to decreased survival in children, impaired immune function and blindness.”

An outraged Bridget Mugambe, a Ugandan and AFSA Policy Advocate, says “Just because the GM banana has been developed in Australia and is being tested in the US, does not make it super! Ugandans know what is super because we have been eating homegrown GM-free bananas for centuries. This GM Banana is an insult to our food, to our culture, to us a nation, and we strongly condemn it.“

Iowa farmer George Naylor noted, "We're told that GMOs are safe but we don't even know if these genetically modified bananas should be tested on humans. People who are malnourished need good food, not another public relations stint that clears the way for more corporate, patented, high-profit technologies."

“As AFSA, we are vehemently opposed to GM crops. Africa and Africans should not be used as justification for promoting the interest of companies and their cohorts. We do not need GM crops in this changing climate. What we need is the diversity in our crops and the knowledge associated with them,” commented Dr. Million Belay, AFSA Coordinator.

AFSA, USFSA and others supporting the Open Letter have demanded that it be shared with the human subjects of the trials in the US.

Ends
Contacts:

Africa:
Bridget Mugambe
Email:  b_mugambe@yahoo.com
 Tel: + 256 775 692499

Dr Million Belay
Email:  millionbelay@gmail.com
Tel: Office: +251-115-507172
       + 251-115-504979

United States:
Lisa Griffith, US Food Sovereignty Alliance
Email:  lisa@nffc.net
Tel: 773-319-5838

Notes to Editors:
  1. AFSA members include the African Biodiversity network (ABN), the Coalition for the Protection of African Genetic Heritage (COPAGEN), Comparing and Supporting Endogenous Development (COMPAS) Africa, Friends of the Earth–Africa, Indigenous Peoples of Africa Coordinating Committee (IPACC), Participatory Ecological Land Use Management (PELUM) Association, Eastern and Southern African Small Scale Farmers’ Forum (ESAFF), La Via Campesina Africa, FAHAMU, World Neighbours, Network of Farmers’ and Agricultural Producers’ Organizations of West Africa (ROPPA), Community Knowledge Systems (CKS) and Plate forme Sous Régionale des Organisations Paysannes d’Afrique Centrale (PROPAC).
  2. The Open Letter can be viewed here:  http://afsafrica.org/afsa-open-letter-opposing-human-feeding-trials-involving-gm-banana/
  3. Documents accessed from Iowa State University can be viewed here:http://afsafrica.org/iowa-state-university-feed-trials/
Kind Regards.